Home Data de criação : 08/04/10 Última atualização : 12/03/05 23:19 / 588 Artigos publicados

Elisa Lucinda

Se Resolvesse Colher Flores  (Elisa Lucinda) escrito em sexta 19 agosto 2011 18:34

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Se resolvesse colher flores, as mais bonitas que se pudesse em jardim encontrar, corresse eu o mundo para esse geo-buquê organizar, não ia dar amiga. Centenas de espécie eu encontrasse, seria pouco pra dizer de sua valentia, de sua alegria, de sua alquimia pra ser fundamental no meu altar. A gratidão pulsa as prateleiras, inquieta as velas, tremula as chamas. Você é uma amiga que tem a dimensão de um verso: não foge à luta, não frustra o verbo. Busquei um buquê pra te dar, pra te ofertar. Não encontrei um à altura de te merecer. Fiz o que pude e, diante do ser, vi que o buquê era inencontrável, porque ele era você. (Elisa Lucinda)

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Deus, Modalidades  (Elisa Lucinda) escrito em quarta 30 junho 2010 15:33

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Quando caminho pela manhã  No colo do dia fresquinho  Novinho em folha  Com azul no céu  E música de passarinho  Quem olha  Não vê quem me leva  Quem  olha pensa que é o vento que me levou. Ninguém conhece minha reza,  É no colo de Deus que eu vou. (Elisa Lucinda)

Foto: Boituva/SP

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Lição De Outono  (Elisa Lucinda) escrito em quarta 25 novembro 2009 10:05

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Uma chuva não oblíqua, mas incidente, cai sobre a noite de outono no Rio de Janeiro.  Meu desamparo não se atreve a botar o focinho na porta de casa. Sabe que essa água ampara, aquieta, aquece o invisível ninho. Porque mesmo em apartamento, hotéis e estalagens, sempre houve um som de chuva estalando serelepe no meu telhado. Quando chove, ajeito-me na cama e para qualquer lado. Tudo é aconchego, dança, sono, acalanto, bailado. O derrame da água em forma de pingos me ensina a reunir minhas partes, minhas frações, me sugere conjunto onde houver baque, choque, cisão. A renda líquida da chuva de outono enfeita minha varanda, sua música me protege, é meu cortinado. A chuva emenda trincados e quem duvidará da unidade de um temporal? Estala, chuva amiga,aprende alma: se parte, é cristal. (Elisa Lucinda)

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Mar Adentro  (Elisa Lucinda) escrito em segunda 06 julho 2009 22:22

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É preciso chorar. As lágrimas são a chuva da gente, nuvens do nosso tempo íntimo precisam desabar. É preciso chorar, lágrimas são os rios do ser, as cachoeiras da gente, mudam nosso tempo simples, atualizam o nosso mar. É preciso chorar, é preciso à natureza copiar,  é preciso aliviar e molhar a seca do coração. Se não chover vira sertão, morre homem, morre gado, morre plantação. (Elisa Lucinda)

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Eu Te Amo E Suas Estréias  (Elisa Lucinda) escrito em sábado 02 maio 2009 22:55

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Te amo mais uma vez esta noite talvez nunca tenha cometido “euteamo” assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato e no parco dos dias. Não importa, importa é a alegria límpida de poder deslocar o “Eu te amo” de um único definitivo dia que parece bastá-lo como juramento  e cuja repetição, parece maculá-lo ou duvidá-lo... Qual nada! Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias É do melhoramento do amor  É do avanço dele É verbo de consistência  É conjugação de alquimia É do departamento das coisas eternas que se repetem variadas e iguais todos os dias na fartura das rotações e seus relógios de colmeias no ciclo das noites e na eternidade das estréias: O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com novidade diária e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo! E é! Porque só aquele dia lindo é lindo como aquele. Nossa sede, por mais primitiva, é sempre uma loucura da falta inédita até o paraíso da água nova no deserto da nova goela. Ela, a água, a transparente obviedade que habita nosso corpo e nos exige reposição cujo modo é o prazer. Vê: tudo em nós comemora o novo milenar de si todas as horas: Comer é novidade Dormir é novidade Doer é novidade Sorrir é novidade Maravilhosa repetitiva verdade que se expõe em cachos a nosso dispor variando em sabor e temor e glória Por isso te amo agora como nunca antes Porque quando te amei ontem eu te amava naquele tempo e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo Te amo hoje com você dentro embora sem você perto Te amo em viagem portanto em viragem diferente da que quando estava perto Meu certo é alto, forte Te amo como nunca amei você longe, meu continente, meu rei Eu te amo quantas vezes for sentido e só nesse motivo é que te amarei. (Elisa Lucinda)

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