Uma chuva não oblíqua, mas incidente, cai sobre a noite de outono no Rio de Janeiro. Meu desamparo não se atreve a botar o focinho na porta de casa. Sabe que essa água ampara, aquieta, aquece o invisível ninho. Porque mesmo em apartamento, hotéis e estalagens, sempre houve um som de chuva estalando serelepe no meu telhado. Quando chove, ajeito-me na cama e para qualquer lado. Tudo é aconchego, dança, sono, acalanto, bailado. O derrame da água em forma de pingos me ensina a reunir minhas partes, minhas frações, me sugere conjunto onde houver baque, choque, cisão. A renda líquida da chuva de outono enfeita minha varanda, sua música me protege, é meu cortinado. A chuva emenda trincados e quem duvidará da unidade de um temporal? Estala, chuva amiga,aprende alma: se parte, é cristal. (Elisa Lucinda)
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Data de criação : 08/04/11 Última atualização : 10/02/03 23:58 / 527 Artigos publicados
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Todos os comentários desse artigo:
Lição De Outono
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Adorei!!!!
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A chuva nos protege da dispersão.
Ou dormimos,
Ou nos preocupamos.
Éle é sempre um convite.
Não achas?
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Bom dia,que blz de foto !!! Vou colocar umas fotos do Festival de Balonismo de Torres/RS ,no meu blog.Não são tão bonitas e belas como as tuas ,mas dá uma olhada.
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Belissimo texto.
Chuva amiga, para lavar a alma e nos deixar de bem com a vida é maravilhoso.
Bjus
Adorei seu blog