Home Data de criação : 08/04/10 Última atualização : 14/03/25 14:02 / 600 Artigos publicados

Prioridades  (Lya Luft) escrito em terça 25 março 2014 10:02

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"Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar daquele trabalho extra que está me matando e ainda por cima detesto.

Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais do meu jeans, camiseta e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranqüila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.

Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.

Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder.

Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento - não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais." (Lya Luft)

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Pensamento  (Textos & Mensagens Espirituais) escrito em segunda 24 fevereiro 2014 05:59

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Para o corpo doente é necessário o médico, para a alma, o amigo: a palavra afetuosa sabe curar a dor. (Menandro)

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Sometimes You Can't Make It On Your Own - U2  (Vídeos & Músicas) escrito em sexta 10 maio 2013 17:08

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Às Vezes É Preciso Recolher-se  (Lya Luft) escrito em sexta 12 abril 2013 15:23

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Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos. (Lya Luft)

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A Quem Ama (Artur da Távola)  (Arthur da Távola) escrito em terça 12 março 2013 16:41

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O homem (se) constrói o mito da perfeição pela dificuldade de aceita a inerente imperfeição  e incompletude dos atos da vida. Quanto mais o ser humano se ausculte, será para defrontar-se com a impossibilidade de alguma solução pacificadora, permanente, perfeita e acabada. Somos um fazer-se sem descanso.  Só temos paz nos raros momentos em que acertamos  ou intuímos a existência de uma plenitude cuja percepção escapa, logo de alcançada.

Os casos de amor vivem rondados por frustração ou arrependimento. Não o amor. Este é íntegro, irrefutável, cristalino, pleno e indubitável; mas os amantes, seus precários portadores. Quase sempre o tamanho do amor é maior que o dos amantes.  As pessoas têm mais amor do eu podem. Daí o fardo pesado que é carregar a chance de felicidade.

O amor é pleno mas cada amante vive envolto numa teia de limitações. Sobrevém a eterna disjuntivas: frustração ou arrependimento. Entregar-se a um amor é abandonar outros. Optar é renunciar. E, do que se renuncia e abandona, pode provir, depois, arrependimento. Afastar-se de um amor, ainda que por lúcidas razões, pode gerar, adiante, a frustração pelo que se deixou de viver.

Arrependimento e frustração são, pois, duas ameaças inevitáveis para amantes que se descobrem viáveis em pele, olho, poesia e suspiro, na medida em que se sabem cercados de repressões, compromissos, impossibilidades ou, então, exorbitantes preços existenciais a pagar pela meia felicidade.

Viver implica essa dolorosa tarefa (suplício e enigma): a de integrar esses pedaços opostos, incorporando dificuldades, vivenciando a eterna imperfeição de tudo.  Viver é descobrir-se inocente e virgem quando já se considerava pronto, vivido, definido e auto-suficiente. Somos fadados a ser pessoas sempre em algum limiar. Quanto mais conhecimento e vivência, novos limiares.

O sofrimento do homem deriva dessa estranha divisão de sua alma: ele precisa de nitidez, de encaixes perfeitos, de caminhos retos, mas só lhe e dado viver situações provisórias e incertas, sinuosos pedaços de retidão, o que o leva a manifestar, até pela mentira, as suas mais fundas verdades.

O amor, porém (não os amantes), rompe esse exercício de sofrimento, pois liga o homem a uma finalidade. Por isso o amor permite o sabor-saber, fugidio e delicioso, de algo pleno, sempre fora e além de nós, mas vivido em nós (por isso enigma), uma certeza adivinhada (e breve vivida) de plenitudes impossíveis.

O amor traz a certeza secreta de uma instância de paz, plenitude e perfeição da qual a vida é um aprendizado, por isso incompleta e inacabada, provisória e sempre em busca. O amor é o filme, mas a vida e os amantes são o trailer de um filme que se intui possível, porém nunca alguém o verá.

O amor é pleno mas os amantes precários, impossíveis, atrapalhados por eles mesmos e suas opções sempre “certerradas”.

No amor, a todo Idea corresponde algum erro real de exercício. Por isso, quem ama vive a misturar pedaços de verdades pela impossibilidade de viver a totalidade. Aqui residem o suplício e o enigma de viver: o amor é total, pleno, mas a vida de quem ama é feita de pedaços, de renuncias ou arrependimentos, de impossibilidades ou carências. Aceitar o enigma sem o deslindar é aprender a viver; é amadurecer: exige trabalho interior penoso, grandeza, equilíbrio e autoconhecimento.

Somos um todo fragmentante que, para se recompor e harmonizar, precisa viver as divisões, os sofrimentos e os açoites das mentiras que conduzem às nossas verdades mais profundas.  Viver em plenitude todos os polos de que somos compostos, eis a ressurreição em vida. O amor, em sua qualidade de rio de muitas vertentes, ajuda e ilumina esse processo de autoconhecimento permanente que é a única forma de autoconhecer-se. Por isso o amor é um estranhamento; e, ao vive-lo, os amantes atrapalham-se, atropelando-o. (Artur da Távola)

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